sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Será, então?


Eu ia adorar se essa fosse a questão, mas não sei não:

"O problema é o excesso de opções, mas isso é só aparente, porque se dentre todas as disponíveis houvesse alguma realmente interessante, sua alma não estaria tomada por dilemas e dúvidas como se encontra agora."

(Quiroga, pra mim e os outros taurinos).

Já não era sem tempo, enfim.



Voltando de um jantar com uma das minhas melhores amigas, passamos em frente a um barzinho que estava no nosso caminho. De dentro do carro, chamou a nossa atenção, logo na calçada, uma conversa entre um baixinho sem nenhuma graça e uma loira também bem sem gracinha, mas alta e decotada.

A cena, assim: ela fumando um cigarro com ar blasé, olhando pra não sei onde. Ele da altura do decote da loira, entusiasmado pela visão, como se tivesse 15 anos. Falando de um modo tão embriagado que, de longe e sem esforço, a gente percebia a tensão e o tesão.

O cara, com um sorrisinho safado de lado, enfeitiçado, quase mergulhava nela, o corpo se retorcendo pra chegar um pouco mais perto. A loira só ouvindo, com cara de paisagem, sem muito entusiasmo - mas sem dispensar a cantada.

E as palavras saíram na velocidade que as pensei: "tomara que ela dê pro baixinho. Ele quer tanto, que vai fazer com que seja o máximo."

Minha amiga me conhece bem o suficiente pra não me reconhecer nessa frase, ainda mais com essa naturalidade. Então rimos juntas, tanto da situação como da revelação.

(Acho que eu tô ficando no ponto, sabe? Menos boazinha e mais interessante. Nem eu imaginava que, a essa altura da vida, eu ia conseguir libertar a safada que mora em mim. Mas já não era sem tempo, enfim.)

Lembrei de uma ótima teoria do Xico Sá: todas as noites, uma mulher, furiosa com um bonitão, promete a si mesma que vai dar para o primeiro cara que encontrar. Então ele, que não é nenhum galã (mas de bobo não tem nada), escolhe a primeira mesa do bar e começa a esperar.

É. Com sorte, a essa hora, o baixinho já se deu bem. E a loira, bem tratada e bem mais calma, está feliz também.

quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

A Princesa que dormia.



Tem romance que eu gosto mais ou menos. Crônica, conto, história em quadrinho também. E músicas, cds inteiros, que acho bem mais ou menos. Filmes, nossa, a maioria é mais ou menos.

Mais ou menos é uma definição imprecisa, mas exata, que cai como uma luva pra tudo entre o 8 e o 80.

Agora com poesia, não. Poesia ou eu amo ou eu nem me lembro mais que um dia existiu (por melhor que seja a minha memória).

Acho que é porque não sou exatamente uma pessoa de poesia. Nem grande conhecedora, nem grande apreciadora. É muito difícil encontrar uma que realmente me comova, mesmo que eu saiba de todo valor que a Literatura lhe dá. Mas também, quando comove, não tem meio termo. Essas poucas (minguadas) que amo, eu amo de paixão.

É o caso dessa aqui, tão perfeita que até dói - no melhor sentido da dor, se é que você me entende:

Eros e Psique

...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades
que vos foram dadas no Grau de Neófito, e
aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto
Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade.

(Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio
Na Ordem Templária De Portugal)

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

(Fernando Pessoa)

terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Então é natal (?)



Ano passado, nessa época, eu estava toda romântica sobre o natal, uma data que sempre adorei. Ah, as luzinhas acesas enfeitando a cidade... ah, as crianças de férias da escola fazendo bagunça no shopping e escolhendo presentes... ah, isso, ah, aquilo. Uma grande chata, isso sim.

Incrível como a gente pode mudar tanto em doze meses. Esse ano, eu já estava contando com o tal espírito natalino que sempre baixou em mim, religiosamente, em todos os natais. Até este. Poizé. Acontece que, em 2009, o danado não veio. Esperei mais um pouco, estranhando a ausência. Mas nada, nadinha mesmo.

Se eu tivesse vivendo no piloto automático, nessa época fatalmente a marcha mudaria, mas não, eu estou prestando atenção em mim, conectada com o que eu sinto, seja bom ou ruim, bonito ou feio. Então me dei conta. Começou quando eu não consegui ver beleza em nenhum enfeite de natal, em lugar nenhum. Estou achando tudo tão over, tão sem sentido, uma breguice gigantesca mesmo. Pronto, falei.

Outro dia, na Paulista, voltando do pilates, achei que ia ficar comovida, porque a Paulista nessa época é atração turística, você sabe. Mas não. Os postes enfeitados pelo Itaú, se você reparar bem, são de um mau gosto terrível. Talvez de noite fiquem mais charmosos, porque menos iluminados, mas não sei não. O natal é o paraíso dos feltros coloridos. Onde os feltros estão no restante do ano? Por que todo mundo resolve amar o feltro no natal, de repente? E os gliters, claro. Muito gliter: verde, vermelho, azul, dourado e prata. E nem é carnaval.

Comecei a prestar mais atenção à minha volta e me decepcionei com as luzinhas dos prédios, todas desgrenhadas, amarradas com pressa, ou sem vontade. Elas me lembram a imposição dessa época: decore sua casa, acenda sua alma, seja generoso, seja caloroso, você tem que estar feliz. Tem que. Aí lá vão as pessoas amarrar os enfeites de qualquer jeito, combinando coisas estranhas que não se comunicam, como abelhas e pinguins, e macacos gigantes, no meio da selva do natal, no meio do chato shopping Iguatemi.

No meu prédio, esse ano temos renas. Bonitinhas, de dia. De noite, as luzes dentro delas são brancas. Luzes frias, como as de cozinha, escritório ou necrotério. Não as luzes amarelas, que lembram velas, lareira, fogo, calor. Não as luzes amarelas que são discretas e não estragam as outras cores (eu acho que até embelezam). Mas aquela luz branca forte, quase azul, escancarada. E na fachada do prédio, uma cortina de luzes que deveria enfeitá-lo, tem cada metade das lâmpadas de uma cor, assim: acabou a luz branca, vamos pegar a amarela que sobrou do ano passado e emendar porque, né, ninguém nem vai notar a diferença mesmo. O importante é brilhar.

Poderia até ser um protesto silencioso de alguém que diz: tá bom, eu tenho que engolir o natal, então engulam isso, you suckers. E quem tem TOC nem deve sair de casa à noite.

Logo adiante, um prédio tem luzes azuis mal penduradas. Deviam estar na promoção, então ótemo. A cor é o de menos. Podiam até ser pink. O importante, afinal, é brilhar. Brilhar muito.

Quase todos protestam, ainda que inconscientemente. Como os shoppings, que precisam se vestir inteiros. É um verdadeiro circo. Mamãe ursa coloca os bebês ursos pra dormir no térreo, enquanto alguns ursos mais ousados voam de asa delta (arrã) no segundo piso.

E você quase sente a poeira daquele amontoado de coisas que ficam guardadas todo o resto do ano, entupindo algum depósito por aí. Imagine só quantos depósitos silenciosos são usados o ano todo pra guardar essa quantidade de tranqueiras. Dá pra formar um exército bem eclético de pelúcia, com certeza. Acho que o natal é mesmo a grande festa dos ácaros.

Pode parecer que eu estou rabugenta, mau humorada ou infeliz, mas juro, não é assim que me sinto. Eu continuo me deslumbrando com as árvores no lindo jardim do meu prédio, com a luz do sol quando se põe e deixa o céu tão colorido. Eu continuo apaixonada pelos animais. Eu continuo me comovendo com miadinhos dengosos, abraços apertados e beijos sinceros.

Eu só comecei a achar muito chata essa história de que, por obrigação, tem que ser natal dentro de nós. Um monte de gente reclamando que ainda não montou a árvore, com um suspiro doído, como se um fosse um fardo terrível. Terrível e inevitável.

Aliás, eu descobri há pouco tempo um movimento super divertido chamado Crappy Santas (de onde "roubei" a imagem acima). Fotos dos tipos mais estranhos de Papai Noel distribuídos por aí, nas decorações natalinas mundo afora, são reunidas em um site. Olha só: "Every year, stores around the world become littered with crappy santas. Big corporations pump this crap out with little to no regard for santa-standards. Beard length, hat placement, belly size, and suit hue are all standards that must be enforced. If we're able collect 1,000 crappy santas by Christmas Eve the International Toy Federation will have no choice but to recall all these half-assed santas."

A ironia é que a maioria das pessoas acha tudo uma graça apenas porque não presta atenção em nada. Se tivesse um coelho da páscoa no meio das árvores de natal dos shoppings, é possível que ninguém notaria. Ou entenderia como um significado todo especial. Blah.

Outro dia fui visitar a minha mãe e sorri (com ternura, não com deboche) quando vi a guirlanda na porta do seu apartamento. Cheguei até a pensar: acho que era isso então, só sinto que é natal quando reconheço o natal na minha família. Mas pouco depois a gente caiu na risada, porque minha mãe nem conseguia enxergar pelo olho mágico que era eu, por causa das benditas folhinhas.

Entrei e vi, de cara, uma árvore simples, pequena e bonita (com luzinhas amarelas). E ao passear pela casa, encontrei os enfeitinhos de madeira que ela espalhou, com moderação, nos banheiros, nos quartos e na cozinha. Tenho que admitir que a casa ficou ainda mais acolhedora sim, mas porque eu percebi, em cada detalhe, que minha mãe fez tudo com amor e com cuidado. Fez tudo com sinceridade.

(Mas mamãe, que é sempre elogiada por ser elegante e ter bom gosto, quem diria, também tem um Crappy Santa ao lado da sua cama. Sorry, mami. Ninguém é perfeito.)

Tudo bem então, se dentro de você é mesmo natal e não porque você está constrangido diante do imperativo natalino. Concordo que aí tem sentido até o mais assustador bom velhinho, como tem sentido para as crianças. Mesmo as que não acreditam em Papai Noel (aliás, ainda existem crianças que acreditam em Papai Noel?).

Apesar de que, vamos e venhamos, quem teve infância sabe bem: ceia de natal nem é tudo isso, um monte de comidas estranhas. O melhor, para os chicos, sempre foram os presentes e ponto final. Ninguém pode nos condenar por isso.

Claro, fora a desculpa pra reunir a família, o que também é uma delícia. Ou não. Depende da sua família.

Trabalhar com publicidade me ajuda a ver com clareza o que a gente já sabe, mas não sente na pele: que muitas datas são exploradas apenas pra mover a indústria. Simples assim. E embora algumas destas datas possam fazer sentido, como para os cristãos faz sentido comemorar o aniversário de Jesus, outras a gente simplesmente aceita passivamente e incorpora como se fossem leis.

Então posso dizer que o que ganhei de presente nesse natal (e antecipado) foi a minha liberdade de viver ou não essa data da maneira que eu escolher. Por isso, nos dias que me senti "natalina", já dei o presente da minha mãe, da minha irmã, do meu namorado, da minha pituca. Não porque tinha que dar, mas porque quis dar. Vivi vários natais, com cada um deles, e quero viver muitos outros, antes e depois dos dias 24 e 25, em qualquer dia do ano.

Pode até ser que um dia minha casa esteja toda enfeitada, a mais brega das casas enfeitadas. Só espero que, se esse dia chegar, realmente seja porque eu sinta que é natal, não apenas porque o calendário me diz. Mas, por favor, se não for pedir muito, com as luzinhas amarelas, tá?

segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Da minha varanda.



O sol nascendo, da minha varanda, um dia desses. Quando todas as palavras me parecem clichês, como agora, as imagens me salvam. Ou vive versa, em alguns casos. Mas não nestes. Nunca nestes.

sábado, 12 de Dezembro de 2009

Menu degustação.



Eu queria poder ser todas as pessoas que estão aqui em mim, mesmo as que pareçam mais contraditórias. Eu queria ser a mãe dedicada de três filhos com casa, gramado e cachorro, mas eu queria ser também a solteira convicta em um apartamento moderno, cheio de livros e gatos. Eu queria ser a gatinha cool que coleciona tatuagens e conquistas. Desapegada. Mas queria ser também a mulher elegante que coleciona arte e sabe falar francês. Fluente.

Eu queria voltar a estudar piano e aprender a tocar os clássicos. Eu queria voltar a estudar piano e aprender a tocar MPB e Coldplay. Eu queria morar em Nova York, em São Francisco, em Paris, em Barcelona e aqui em São Paulo. Talvez em Chicago, talvez em Londres. Eu queria visitar minha amiga que eu amo e mora em Berlim. Eu queria ver meus amigos que estão na Alemanha. Eu queria fazer um cruzeiro romântico, bronzeada e de branco, pelas ilhas gregas. Eu queria conhecer a Patagônia Argentina, ir pra Ushuaia e esticar até a Antártida.

Eu queria largar tudo e ir pra África de chinelinho e roupa de algodão orgânico. Eu queria um tênis vintage da Nike que estou namorando na vitrine . Eu queria doar tudo que eu tenho pra quem tanto precisa. Eu queria não me importar tanto com isso e torrar tudo sem amanhã - e sem dor na consciência. Eu queria ser metade isso, metade aquilo: ter a responsabilidade, mas não a culpa.

Eu queria agora estar com meu vestido novo e as pernas de fora, passeando por aí. Mas eu queria também estar na minha cama quentinha, quietinha, com meu namorado ao lado. Eu queria muito ir ao casamento do meu primo e rever a minha família, mas também queria não ter que viajar pra lado nenhum e ficar só na minha casa.

Eu queria cortar o cabelo na altura do ombro, mas também queria ter meu cabelo comprido, como agora. Eu queria fazer a unha daqui a pouco, mas também queria voltar pra cama e dormir gostoso. Eu queria passar dias inteiros sozinha, tirando fotografias do mundo. Mas eu também queria passar dias inteiros apaixonados, melados, grudados.

Sabe, o dilema é que temos apenas uma vida - e muita imaginação. A idéia de passar nossa existência só experimentando é tão sedutora que a gente se esquece de que, até pra isso, ainda teria que escolher os sabores. Você não pode chegar na sorveteria e pedir pra provar todos. Tem que ser entre dois ou três. Quatro, vá lá. Não conheço ninguém que chegou ao quinto. Pelo menos não na mesma rodada.

É mais ou menos o que você sente quando vai ao seu restaurante preferido e queria poder pedir o cardápio inteiro, ou que seja metade dele. Mas nada, você tem que fazer a sua escolha - e todas as renúncias que ela implica. Cansa só de pensar. E olha, eu sou uma das primeiras a saber o meu pedido, porque evito dramatizar. Aquela coisa (chata) da Pollyanna e o Jogo do Contente, sabe? Então. Eu me concentro na delícia do prato que está pra chegar, não em lamentar os que ficaram pra outro dia.

Mas, no restaurante da vida é um pouco mais complicado. Seria maravilhoso se, nesse caso, a gente pudesse apenas chegar, sentar e falar: "Garçom, por favor, eu quero o menu degustação". Já pensou?

quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Bem feito... e não, nunca vou aprender a lição.



No domingo, eu fui tentar ver o Almodóvar, mas a sessão estava esgotada. Então eu caí na besteira de ver " Atividade Paranormal". Digo isso porque sou uma medrosa de carteirinha, não importa se o filme é bom ou não. Só que a minha curiosidade sempre foi maior que o meu medo. Bem feito. Fime ruim, uma noite mal dormida e a dor nas costas apertou. Ou seja: o medo passou e a recordação da bobagem ficou nos ombros, no pescoço e em tudo mais que dói. Nem pilates, nem massagem, nada deu jeito. O único jeito é esperar a dor passar e apenas me conformar que não, eu não aprendi a lição e sim, quando tiver outro filme de terror dando sopa por aí, e dando o que falar, eu vou acabar não resistindo e assistindo, apesar dos pesares. C'est la vie.

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Meu grande barato (com ou sem dor).



Quando eu escrevo, enquanto as palavras surgem na tela quase na velocidade que surgem no pensamento (algumas em voo sem escalas, direto do inconsciente), assim é que eu mais me revelo, e me surpreendo com o que nem eu sabia que está em mim.

Pode parecer estranho dizer isso, mas seja a descoberta boa ou ruim, o processo é sempre uma delícia. Mesmo quando dói, eu não posso dizer que não me divirto. Tenho que confessar que escrever é o meu grande barato: tem quem use cogumelos ou bolinhas - eu viajo nas e com as palavras, just easy and breezy, quick and dry.

Duas qualidades me definem mais do que todo o resto, acredito eu, e bem poderiam estar na minha lápide (embora eu não queira ser enterrada): vegetariana e escritora. Bem provável que melhor vegetariana do que escritora, é verdade, mas tudo bem.

Vou e volto...



Eu ia escrever no meu twitter que algumas pessoas só sabem usar os seus como muro de lamentações, o que é terrivelmente chato. Só não é pior do que aquelas que usam seus twitters pra contar vantagem, fazendo de conta que contam piadas. So boring, you both.

Mas aí pensei que, de certo modo, seria este meu também um tweet de lamentação, na melhor das hipóteses. Ou um tweet contando vantagem sobre o fato de eu não usar o meu pra me lamentar, tentando mostrar que eu sou diferente, mas sendo exatamente igual a todos os chatos que ficam se gabando por lá. Vejam só que cilada.

Resolvi, então, não escrever nada. Mas, ao pensar sobre isso tudo (no banho), quis contar aqui sobre esses pensamentos, aqui onde eu posso me lamentar ou contar vantagem sem ser mais do mesmo, sendo apenas mais de mim. É que às vezes eu vou e volto tantas vezes que parece, até pra mim mesma, que eu não saí do lugar. Mas, taí uma prova, é por isso que eu me sinto cansada como se tivesse ido muito longe. Vocês não sabem, mas eu fui. E voltei.

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Soy loca por ti.



Meu motivo de hoje pra ser feliz: Almodóvar, com o vulcão Penelópe, sua grande musa, chega aos cinemas no Brasil. Eu vou amanhã, mas só de saber que está lá desde hoje, já estou sorrindo. Olha só pra esse cartaz, essas cores berrantes, das cores que é a tragicomédia da vida. Presentão de fim de ano, viu? Soy loca por ti, Almodóvar.

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Retorno de Saturno.



Um amigo, com quem eu gosto muito de conversar, há poucos meses me contou sobre um rito de passagem que eu desconhecia: de acordo com a Astrologia, quando a gente faz 28 anos, o planeta Saturno então retornaria à nossa vida e nessa ocasião somos confrontados com as nossas escolhas que nos trouxeram até aqui.

Como uma revisão, depois de uma certa quilometragem. Uma pausa pra recalcular o sentido e a direção.

Saturno, em tese, bagunça a casa e dá a chance de reorganizá-la até os 30 anos. Não sei como é que eu acredito em Astrologia, mas, de toda forma, eu gostei do prazo e da inspiração, então quero acreditar (mesmo que uma parte de mim, bem menor, não acredite).

Por coincidência ou não, desde o final dos meus 27 anos a minha vida tem passado por um monte de mudanças e parece cada vez mais próxima de ser minha. Por caminhos certos e por caminhos tortos, nem sempre como eu havia pensado, mas quase sempre melhor - ainda que pra chegar lá, os voos sejam de muita turbulência.

O melhor é que ainda tenho 6 meses quase inteiros na companhia provocativa de Saturno - então deixa eu saborear essa visita e aproveitar tudo que ela tem de melhor pra me oferecer. ;)

Aqui fica um trecho de um texto sobre o assunto, escrito por alguém que parece mais entendido do que eu:

O Retorno de Saturno, de Márcia Mattos.

"Entre os 28 e 30 anos de idade, ocorre o primeiro Retorno de Saturno, ou seja, o planeta em trânsito se posicionará no mesmo local em que ele estava no momento de nascimento da pessoa e iniciará uma nova volta em torno do zodíaco.

Novamente, como em todo trânsito de Saturno, ocorre um doloroso rito de passagem, envolvendo responsabilidades, desta vez maiores do que nunca. A partir deste período, muitas coisas que antes eram parte de uma gama de opções se tornam definitivas. É o momento de determinar o que vai dar impulso aos próximos 28 anos e tudo o que é decidido tem sua repercussão e consequência.


Este período representa também o fechamento sobre todo o passado de dependência familiar, uma liberação final de tudo que ligava às servidões da infância e da adolescência, uma aquisição definitiva de autonomia. É o ponto final do caminho de relaxamento de responsabilidades dos pais sobre os filhos.

(...)
O ciclo dos 28 anos de Saturno é completado quando se pode tomar nas mãos com segurança as rédeas e o controle da própria existência. Desligar-se do passado para apenas conservar dele as bases mais sólidas sobre as quais deve ser projetado e construído o futuro."

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Sementinha.



Faz parte da minha vida, agora, uma pessoa muito especial, que eu vou chamar de minha segunda terapeuta, porque inicialmente ela ia me ajudar apenas com as minhas dores de coluna, mas acabou me ajudando com outras dores bem mais profundas também. E, em tão pouco tempo, ela já me fez um bem enorme e se tornou uma amiga.

Uma amiga muito sábia e sensível, que me recomendou o livro "O Despertar do Tigre" nos nossos bate papos filosóficos, que eu comprei ontem, curiosa. Depois que ler, eu conto aqui. Hoje só queria contar dela, que é mais uma prova de que a vida não para de nos surpreender, positivamente, nunca. O importante é, perdoem o clichê, mas eu preciso dizer, o importante é a gente não se fechar. Pode até encostar a porta, mas não tranque. Não tranque que por essa porta que passam as dores também passam as alegrias, e quando isso acontece... ô delícia.

A surpresa boa veio com sabor de sementes de mostarda. Em uma fase que também a semente da nova fase da minha vida já foi plantada. Agora é só cuidar pra ela crescer, florescer e frutificar.

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Red.



O novo mês começa com uma data importante: primeiro de dezembro é o Dia Mundial de Combate à AIDS. Existem várias formas de ajudar e muitas delas você pode encontrar aqui.

Hoje, eu já transformei meu blog, meu twitter e meu facebook em vermelho (cor símbolo desta causa). E você?
 
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